sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O sem pai




Me sinto aprisionado pela minha propria pressa
de ver tudo acabado antes da hora
de sentir uma vontade de ir embora

agora vou pra casa sonhar
enquanto o mundo se acaba em chamas
e me distponho a me acabar
junto com a terra é meu sepulcro.

minhas entranhas
alimentaram outros insetos
em outros tempos, outras vidas
O que serei não sei.
Me associarei com plantas e com árvores.
destilarei atrocidades.

O tempo é estático...
vamos encarar.

Tudo agora me é tão caro...
já não vale a pena comprar.
vou ficar aqui parado...
e só comer o que eu plantar

Papagaio


Voei demais.
O vento me atirava nervosamente por entre galhos e arbustos,
que me rasgavam como papel de seda.

Então Caí.
e com a queda me dei conta que sonhava em ser livre.
Tinha ambições conspiratórias contra o vento, que me impunha forças indesejáveis.

Mas fui dilacerado.
Foi então que percebi que me tornava cada vez mais triste e solitário.
Mais escuro e denso.

Não desejo mais ir contra o vento.

Quero sentí-lo em meu peito e usá-lo para alçar vôo.
Se for atirado contra novos galhos,
me rasgarei com prazer.
Se cair ao chão com força,
voarei mais alto.

Até que não possa mais distinguir se estou livre ou perdido.

Não consigo mais ver o chão com os mesmos olhos.

não consigo ver o chão
não consigo chão
consigo chão
comigo chão.